terça-feira, 18 de setembro de 2012

fóssil de cetáceo em santa maria (açores)


Fóssil de cetáceo descoberto em Santa Maria

por Jornal Açores 9
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Nos Açores, só existem jazidas fósseis na Ilha de Santa MariaTexto: Gacs | Foto: Luís Mesquita
Nos Açores, só existem jazidas fósseis na Ilha de Santa Maria
Furacão Gordon faz descobertas em Santa Maria.
O Governo dos Açores, através de técnicos do Parque Natural de Santa Maria, juntamente com investigadores do CIBIO-Açores (Departamento de Biologia da Universidade dos Açores), removeram da jazida fóssil da Praínha uma mandíbula de um cetáceo, que se estima ter entre 117 a 130 mil anos.
O osso, com cerca de 1 metro de comprimento foi descoberto por particulares, que contataram a Universidade dos Açores, mais precisamente o Doutor Sérgio Ávila, paleontólogo do Grupo de Paleobiogeografia da entidade de ensino açoriana, que de imediato informou o Parque Natural mariense da importância deste achado e da urgência na sua remoção.
O fóssil foi parcialmente colocado a descoberto pelas adversas condições marítimas trazidas pelo Furacão Gordon, que através da remoção de rochas de grandes dimensões e areias, expuseram uma parte da mandíbula, que se crê seja de um cachalote ou de uma baleia de barbas. A sua remoção demonstrava-se incontornável, dada a extensão de osso exposta e o seu estado de degradação, que não resistiria a novas intempéries.
De momento a peça encontra-se nas instalações do Parque Natural de Santa Maria, para limpeza e análise e será exposta no Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo, assim que terminem os estudos e estes sejam publicados em revista da especialidade. O Centro de Interpretação Ambiental Dalberto Pombo, expõe já inúmeras rochas sedimentares de Santa Maria com conteúdos fósseis, para além de aves, insetos e outros valores geológicos, pertencentes à coleção pessoal de Dalberto Pombo.
Nos Açores, só existem jazidas fósseis na Ilha de Santa Maria, o que a torna única no contexto deste arquipélago. As jazidas fósseis da ilha possuem dois momentos distintos de formação, associados a dois períodos de formação sedimentar da ilha, uma vez que estas jazidas se encontram associadas a conglomerados sedimentares, e não vulcânicos. Assim, são cerca de 15 as jazidas fósseis com idades do final do Miocénico – início do Pliocénico, (entre 7 a 5 milhões de anos), e 6 jazidas mais recentes, do Plistocénico, com idades entre os 117.00 a 130.000 anos, onde se inclui a jazida fóssil da Praínha.
Esta descoberta reveste-se de elevada importância dado que, e de acordo com as pesquisas efetuadas pelos paleontólogos da Universidade dos Açores, para o período Plistocénico, em particular, para o último estádio interglaciar, esta é a primeira ocorrência de um fóssil de cetáceo em ilhas oceânicas a nível mundial.

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